hoje no rádio tocou a música que a gente dançou no casamento daquela sua amiga, sabe qual? aquela meio animadinha, mas que eu sempre achei um pouco triste. linda, mas triste. é uma que eu até comprei o cd depois só pra gente poder ouvir mais umas vezes. na época as pessoas ainda compravam cds, e eu lembro de ter achado uma perda de dinheiro porque o disco devia ter umas três músicas boas, no máximo. mas de qualquer forma acabou sendo um bom investimento, porque era uma delícia colocar aquelas três músicas pra tocar quando era sábado e a gente cismava de fazer algo de diferente no almoço. deve ser besteira, mas até arroz branco ficava gostoso ao som daqueles acordes. normal, mas gostoso.
hoje eu acordei e lembrei que eu não tenho mais vinte anos. procurei nas caixas no fundo do armário por aquele cd, na esperança dele ainda existir. achei a capa, dentro de um caixa marrom com um fita crepe amarelada escrito “dela”. o plástico estava todo arranhado e vários dentes na parte de dentro estavam faltando, mas o disco não estava lá. hoje eu acordei e lembrei que as coisas não estão mais onde deveriam estar. não é nem questão de falar que eu não sabia o valor do que tinha até perder ou essas baboseiras de filme água com açúcar, porque eu sabia muito bem. o problema é esse: eu tenho completa consciência do que eu perdi. é lindo de falar, poético. lindo, mas triste.
hoje eu passei muito tempo procurando por coisas que eu sei que não vou encontrar. algumas coisas simplesmente não existem para serem encontradas. é difícil, é trabalhoso, parece que não vai acabar nunca, mas depois de um tempo você se acostuma. as coisas voltam ao normal. não há grandes epifanias, não há coros empolgados entoando uma canção marcante. tudo volta ao normal. normal, e nada mais.



e se eu falar q meu olho encheu d’agua?