eu fecho os olhos mas consigo sentí-los passando por mim. meus fantasmas se embolam nos fios dos meus cabelos enquanto eu caminho por essa casa vazia e me fazem sentir arrepios constantes. bem quando eu acho que eles se foram, voltam lembranças que me fazem subir nas pontas dos pés e gemer de angústia. há noites eu não sei o que é dormir. eu me enrolo na cama como um feto amedrontado, tentando fugir das coisas que me assombram. eu me fecho em mim mesmo, mas não consigo fechar meu pensamento. esses seres de vento gelado entram pelas minhas narinas e me fazem taquicárdico. eu perco o ar, eu perco as forças. sento na cama desesperado e esfrego os braços tentando provocar algum calor. eu preciso acender alguma chama em mim, eu preciso me fazer seguro. logo será manhã e tudo se esvairá. mas por enquanto é noite e eu tenho medo de acabar descobrindo que os fantasmas que me afobam são parte de quem eu me tornei, e que não há nada que eu possa fazer para mandá-los embora.



