agora já se passaram três anos e você ainda não está pronta. você costumava me dizer calma, vai dar tudo certo. e não deu. o mundo não parou de girar por nossa causa e não nasceram girassóis no peitoral da minha janela como eu queria. pode falar quantas vezes quiser que isso não é o mais importante mas eu não acredito. pra mim a única mudança foi a grama do jardim ter parado de crescer.
há muito tempo você me irritava e eu pedia desculpas. ligava, mandava rosas brancas, ficava de joelhos e beijava seus pés encardidos. há muito tempo eu tenho fingido que esse tempo vai passar e que de repente as coisas mais belas do mundo vão chegar na minha porta dentro de uma caixinha do serviço de correios muito bem enrolada com fitas adesivas transparentes. mas não vão.
já se passaram três anos desde que você me disse que um dia estaria pronta para mim e pra tudo que eu queria te oferecer. pronta para os meus abraços fora de hora e para as pausas entre as palavras. pronta para minhas mãos cheias de calos e para os monstros que habitam meus ouvidos. mas quando chega a hora da verdade, quando o apresentador velho e barbudo segura a maçaneta da porta que vai revelar tudo que faltava saber para minhas ruas ganharem nomes e o mundo parar de girar por nossa causa, você volta atrás. você volta atrás e eu caio em mim. não há fogos de artifício, não há tapinhas amigáveis nas costas, não há pacotes de balas multicoloridas em cima da mesa de jantar. a grama do jardim continua não crescendo.




Cada dia escrevendo melhor esse Marcatto!
que bonito, e apertado na lembrança que dói…
(me fez lembrar do trecho de ‘O amor dura três anos’, que acabei conhecendo por uma foto – http://www.flickr.com/photos/corradogiulietti/359686772/in/faves-carol-s/ – em italiano, mas acredito que dê pra entender num geral)